Rita Vian – Purga

Já não sei demais
A minha vida segue eu só vou virar aqui
Se me engano ensaio
E se tu me atrais
Não vou olvidar o perigo
O que eu não mudo eu vou deixar para trás
Em cada curva vou deixar rodar
E a frequência que me alimenta
E me avisa quem deixar entrar

Vejo a marca dos pneus na Estrada
Da outra vez em que não dei por nada
Tenho a mudança solta
E menos força
Braços abertos não agarram nada
É e a volta é a que tu escolheres
Há uma pista e há vistas melhores
Pesa o peso e a roupa
Quando te esforças
E o que tens não cresceu de favores

E as riscas da mão são pormenores
Se vires que a palma fez esforços maiores
Torce o braço e solta
Não vem da força
Mas do sentido dos passos menores

Estou no excesso e quero
Voltar a ser só a substância
Essa não coisa é a nossa essência
O que eu não toco para mim não tem distância
O que está longe ou perto
O que não vejo, não ouço, nem pego
O que eu sinto que é certo
Não tem nome
Tem mais importância

Passo o pano e sei que no tempo que tenho
Abro o peito e calo o grito
Se perdura eu sei que a têmpora salta
Em dois olhos de manjerico
E as minhas fugas são sempre mentais
Ou peço ajuda aos meus outros pedais
Que me arrancam sombras
E aceleram escolhas
Enquanto evito encontros casuais

O que eu não surto eu passo para vogais
Ou peço ao meu duplo umas caras a mais
E o cair na colcha é só uma amostra
Que aprendo e lembro e tudo se repete
E há um braço que me agarra à frente
E me diz que vai ser sempre diferente
E no fim cai a roupa sem corpo fui noutra
Aprendi a ser só na minha mente

Estou no excesso e quero
Voltar a ser só a substância
Essa não coisa é a nossa essência
O que eu não toco para mim não tem distância
O que está longe ou perto
O que não vejo, não ouço, nem pego
O que eu sinto que é certo
Não tem nome
Tem mais importância

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *