Ana Bacalhau – Passo A Tratar-me Por Tu

Sou quem? Que personagem?
Qual a vantagem de o ser?
Sou eu, outra ou nenhuma
Serei homem ou mulher?

Sem quem me invente um enredo
Meu medo não é um qualquer
Mas o de acordar de repente
Perdida do que viver

Recolho-me ao meu reduto
Provo o fruto que dou só 
Se sozinha é que me encontro
E de longe vejo ao perto
Passo a tratar-me por tu

Amparo o meu braço fraco
Evito ter de mim dó 
Que o meu tempo não é pouco, e
Se do lasso faço força
Posso tratar-me por tu
Passo a tratar-me por tu

Quem vem, quem vejo comigo?
Em mim consigo entender
Um eu, uma outra ou nenhuma
Mulher, homem, homem, mulher

Nem tem de existir mistério
Nem critério, nem sequer
Atriz, personagem, enredo
Ou razões para os não ter

Recolhida ao meu reduto
Fico o fruto que dou só 
E é sozinha que o encontro
Quando o longe vejo perto
E passo a tratar-me por tu

Amparada a um braço fraco
Escuso de ter de mim dó
Que o meu tempo ainda é um tanto e
Fazendo do lasso força
Posso tratar-me por tu
Passo a tratar-me por tu
Passo a tratar-me por tu

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