Brasil & Portugal | 10 Novas Versões de Clássicos da Lusofonia

 

Há sempre quem diga que “antigamente é que era bom” e que as novas gerações não sabem o que é boa música. Não é esse sentimento um pouquinho transversal a todas as gerações desde sempre? Não achamos todos que quando éramos jovens ou crianças ou ainda nem nascidos é que havia bons compositores e intérpretes?

A Aldeia tenta fugir um pouquinho a essa ideia extrema… porquê não unirmos o melhor do clássico ao melhor da nova geração? Porquê não darmos espaço a quem está a chegar agora e a mostrar que se faz sim boa música, apesar do número de visualizações no YouTube não concordar connosco?

A maioria das pessoas até pode não achar, mas neste cantinho da Internet não só adoramos os artistas da nova geração, como adoramos que eles homenageiem as gerações anteriores. Divirtam-se, vizinhos!

1) No ano 2000 comemoravam-se 20 anos desde o lançamento do primeiro álbum do pai do Rock Português, Rui Veloso. O seu Ar de Rock recebeu um tributo à altura, o 20 anos depois – Ar de Rock e conta com versões de artistas como Xutos & Pontapés, Clã e Ala dos Namorados e até mesmo os brasileiros Os Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Sara Tavares, portuguesa com ascendência cabo-verdiana, ficou com esta belíssima versão da Saiu Para a Rua.

2) Em 2008, quando se apontavam no calendário 20 anos desde o desaparecimento do músico português Carlos Paião (Coimbra, 1 de Novembro de 1957 — Rio Maior, 26 de Agosto de 1988), vários músicos e bandas reinterpretaram temas do autor, formando assim o álbum Tributo a Carlos Paião. Tiago Bettencourt e os Mantha fizeram um belíssimo trabalho nesta versão da Pó de Arroz.

3) Apesar de ter sido concebida por José Luís Tinoco para que o fadista Carlos do Carmo a cantasse no Festival da Canção de 1976, No Teu Poema foi eternizada por Simone de Oliveira, que a canta há décadas, e regravada por muitos artistas portugueses. Os Amor Electro na voz da Marisa Liz dispensam as explicações da nossa escolha, não explicam?

4) “Do samba-canção à bossa nova, da jovem guarda à música de protesto, “Cantoras do Brasil” faz um passeio pela obra de divas do passado interpretada pela nova geração de cantoras brasileiras. O material é fruto de uma série que o Canal Brasil levou ao ar em 2012 e que foi transformado em CD e DVD. Cada uma das faixas traz uma convidada interpretando uma música de outra voz feminina do passado, também brasileira, que tenha inspirado sua vida ou carreira.” (adaptado – via Editora Saraiva). Nesta canção, Demais, temos Mallu Magalhães com apenas 22 anos (2014) a homenagear Elizeth Cardoso (Rio de Janeiro, 1920 – 1990).

5) Pouco podemos falar sobre os compositores desta música lançada em 1976, Joran e Gilson, mas podemos talvez garantir que não há um brasileiro (ou lusófono) que não a tenha ouvido pelo menos uma vez na vida, na voz de Neguinho da Beija Flor, Wilson Paim, Altemar Dutra, Maria Creuza, Maria da Paz, Maria Bethânia, José Augusto ou Peninha. Roberta Campos a traz para 2015 e nos enche novamente com a paz desta Casinha Branca, esse “lugar de mato verde para plantar e para colher”. Que lindeza!

6) Este fado muito bem disposto foi escrito por Carlos Paião para Amália Rodrigues e com isso talvez não precisemos de dizer muito mais. Que combinação de mestres! Esta música tem letra, ritmo e energia que devem ter impressionado Portugal e dado que falar em 1982 e que não passam indiferentes mesmo em 2016, quando Gisela João resolve dar-lhe uma nova vida e um videoclipe especial. A barcelense introduziu esta versão de Sr. Extraterrestre no seu último álbum, Nua, que conta ainda com outras versões de músicas antigas e muito especiais.

7) Talvez a Tocando em Frente dispensasse apresentação, mas seremos breves. É uma canção dos cantores e compositores brasileiros Almir Sater e Renato Teixeira que foi gravada pela primeira vez por Maria Bethânia, regravada muitas vezes e é cantada em todas as rodas de violão e karaokes pelo Brasil afora desde então, o que faz dela certamente um clássico da música tupiniquim. As queridas Anavitória a regravaram em 2016 no seu álbum homónimo quando tinham ambas menos de 20 anos de idade.

8) Slow J é o nome artístico de João Batista Coelho, um músico português de apenas 26 anos que dificilmente se define por palavras. É tido como o artista revelação de 2015 e isso justifica-se facilmente: a voz e a performance não conseguem passar ao lado nem nos deixar indiferentes. Em Março de 2017 a rádio Antena 3 abre-lhe espaço no seu No Ar e somos todos presenteados com essa bela e peculiar versão do clássico de Vitorino, Menina Estás à Janela, composta há mais de 35 anos.

9) Também em 2017 sai ao ar o resultado do trabalho que João Gil teve ao reunir 32 dos maiores artistas portugueses num disco em que celebra os seus 40 anos de canções. Ana Bacalhau, Carlão, Carminho, Jorge Palma, Márcia, Miguel Araújo, Tiago Bettencourt, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares e Rui Veloso foram alguns dos nomes convidados para interpretar 28 temas – inéditos e canções que fazem parte do imaginário musical de todos os portugueses (adaptado – via FNAC). A Luísa Sobral calhou um tema doce como ela, cheio de família e saudade em português – Postal dos Correios, eternizado pelos Rio Grande em 1996.

10) E para fechar com requinte temos Tiago Nacarato e a sua linda interpretação de Onde Anda Você, de Vinícius de Morais. Este vídeo cabe em tantas categorias que fica difícil encaixá-lo na melhor. Nacarato é um jovem luso-brasileiro que mora em Portugal desde que se conhece por gente e que navega bem entre ambos os sotaques. Em 2017, com 27 anos, participou na versão portuguesa do The Voice e fez virar as cadeiras assim que começou a cantar este clássico. É um caso raro porque saiu da televisão para os estúdios e palcos mesmo sem ter ganhado o programa. É ou não é muito justo?

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