A Aldeia foi para… LISBOA!

Resumido já assim, de caras: ir a Lisboa é sempre muito bom.
Mesmo que seja rapidinho, mesmo que não esteja o melhor tempo do mundo, mesmo que estejamos sozinhos. Imagine então não precisar olhar para o relógio, com aquele sol maravilhoso e céu azul que só a capital portuguesa sabe ter, e em boa companhia. É a combinação perfeita.

Da Covilhã rumamos a sul no dia 21 de Outubro de manhã com um objetivo muito especial: pela primeira vez na vida iria ver Maria Bethânia ao vivo. Já há muito que tinha esta vontade e sinceramente estava torcendo muito para que ela viesse e tudo se combinasse para a ver. Esta foi a vez! A cantora baiana esteve em Portugal para três atuações em duas das principais salas de espetáculo portuguesas, os Coliseus. Duas presenças no Coliseu dos Recreios (Lisboa) e uma no Coliseu do Porto.

Após estacionar o carro em um local de onde ele não sairia mais durante todo o fim de semana, saímos pela cidade para bater perna, almoçar e concluir que Lisboa, como poderia dizer Gilberto Gil, continua linda.

Nessa tarde solarenga acabamos por encontrar com amigos e fazer uma das atividades que mais tem caracterizado Lisboa nos últimos anos: assistir ao pôr do sol num miradouro. Simples assim. Compramos uma garrafa da nossa bebida favorita num mini-mercado próximo e encontramos um cantinho no Miradouro de Santa Catarina, que estava quase cheio. Num ambiente extremamente agradável ainda ouvimos Djavan, Tim Maia, Caetano e muitos outros pelas mãos e vozes de alguns músicos de rua com o sol a pôr-se a nossa frente. Aposto que isso pode ser enquadrado no novo movimento da moda, Slow Life: viver devagarzinho e aproveitar cada momento. Que coisa mais boa, Lisboa!

À noite fomos ao encontro do que realmente nos levou: o concerto da grande, incrível, diva, senhora Maria Bethânia Viana Teles Veloso. Do alto dos seus 71 anos de idade, a filha da Dona Canô continua surpreendendo e sendo uma grande embaixadora da música brasileira no exterior. É um grande orgulho ver uma sala de espetáculos como o Coliseu lotada com pessoas a aplaudir durante muito tempo seguido e rendidas ao encanto da cantora. Apesar da grande afluência de brasileiros que residem em Portugal, a maioria da sala era, com certeza, portuguesa. Algumas vezes me pus no lugar dela e imaginei como é sentir-se tão acarinhada e admirada a tantos quilómetros da sua terra natal.

Do espetáculo em si não posso deixar de dizer que não fiquei 100% satisfeita com o local de onde o assistimos. Como compramos o bilhete mais barato (que mesmo assim custou 25 euros), estivemos nas galerias em pé, por cima de toda a sala, de onde não se recebe o som da mesma maneira. Como as caixas de som estão colocadas por baixo do patamar onde estávamos e direcionadas de cima para baixo, não tínhamos uma recepção completa do som. Bethânia esteve maravilhosa, mas infelizmente não posso dizer o mesmo do Coliseu.

Saídos do concerto ainda fomos explorar um pouquinho do Bairro Alto, onde locais e turistas se misturam com os copos na mão e trocam boas experiências. Foi uma noite para dormir com o coração cheio.

Na manhã seguinte acordamos tão cedo quanto foi possível, e após o café da manhã no hostel, partimos para a minha região favorita de Lisboa: Belém. É uma região pitoresca que é o local de muitas das mais notáveis e importantes atrações turísticas da capital, como o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. Como se situa nas margens norte do Rio Tejo, foi a partir das suas antigas marinas que embarcaram os navios que navegaram por todo o mundo.

É um dos locais nos quais mais penso em questões existenciais, digamos. O Rio Tejo é extremamente apaziguador e apesar do local estar cheio de turistas, é surpreendentemente silencioso. Não sei quantas pessoas que ali estão, pensam, como eu, no que levava homens a entrarem em navios e mandarem-se pelo oceano desconhecido à procura do que pudessem encontrar. Imagino quantos medos tiveram que enfrentar e quantas decepções tiveram com as derrotas e falhas antes de encontrar o sucesso naquilo que buscavam. Você também pensa nestas coisas?

Passeamos mais um pouquinho, almoçamos e deixamo-nos ficar só a ver a cidade antes de voltar para casa.
Lisboa é linda e continua merecendo muito a nossa visita!

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