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25 de Abril de 1974 | Chico Buarque homenageou a Revolução Portuguesa

 

Foi num período conturbado em ambos os lados do Atlântico que Chico Buarque compôs a sua Tanto Mar.
No Brasil se vivia uma ditadura militar iniciada em 1964 (e que só acabaria em 1985) marcada por um caráter autoritário e nacionalista, com censura a todos os meios de comunicação do país e permissão ao Exército e à Polícia Militar para que pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas de dissidência.
Já em Portugal, a 25 de Abril de 1974 acontecia a Revolução dos Cravos, um período resultante de um movimento social que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de Abril de 1976.

O cantor brasileiro, um dos artistas mais ativos na crítica política da época, não poderia ficar indiferente.
A primeira versão da canção, inicialmente censurada pelo regime brasileiro, mas editada em Portugal, mostra uma celebração imediata, em tempo real e presente, com um sentimento que se pode quase chamar de inveja:
“Sei que estás em festa, pá/ Fico contente/ E enquanto estou ausente/ Guarda um cravo para mim. / Eu queria estar na festa, pá/ Com a tua gente/ E colher pessoalmente uma flor do teu jardim. […] Lá faz primavera, pá/ Cá estou doente/ Manda urgentemente/ Algum cheirinho de alecrim”

É apenas em 1978 que Chico Buarque consegue lançar a canção que compôs anos antes.
Nesse entretanto a situação política em Portugal havia passado por momentos bastante conturbados de adaptação à democracia e o cantor terá considerado, possivelmente por razões políticas pessoais, que a festa havia acabado. Esta versão foi escrita no tempo Passado, como uma memória, mas pedindo ao povo português que não perdesse o espírito revolucionário:
“Foi bonita a festa, pá/ Fiquei contente/ Ainda guardo renitente/ Um velho cravo para mim./ Já murcharam tua festa, pá/ Mas certamente/ Esqueceram uma semente/ Nalgum canto de jardim./ […] Canta a primavera, pá/ Cá estou carente/ Manda novamente/ Algum cheirinho de alecrim.”

Opiniões políticas à parte, hoje em Portugal celebra-se a liberdade de um país poder escolher os seus representantes.
Celebra-se a possibilidade de se dizer o que se quer em praça pública, nos meios de comunicação social ou através da Arte.
Nós, na Aldeia, celebramos a liberdade de escrita musical que tanto Portugal como o Brasil vivem graças aos que outrora deram a cara (e até a vida) para que hoje pudéssemos fazê-lo.

Viva o 25 de Abril! Viva a língua portuguesa!

 

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